REFLEXÃO SOBRE A FRASE:
“O modelo de ensino e de escola ocidental é mais uma das heranças greco-romanas e que, particularmente, não recebeu desde então expressivas contribuições”.
Nosso protótipo de ensino herdado onde obtemos, entre outros paradigmas, exemplos filosóficos e pedagógicos sobre Platão, Sócrates e Aristóteles deveriam receber maiores contribuições para transformar pessoas, para poder garantir educação de qualidade, melhor formação não apenas para o trabalho mais também para a vida, para que se tenha consciência de direitos, deveres e responsabilidades. Hodiernamente, se espera da escola e da educação muito mais do que é sua função social. Mas o que, então, tem acontecido nas escolas desde período greco-romano até agora?
É fato que para os gregos, extensivo aos romanos, o ensino era levado a sério. Desde a tenra idade as crianças, ou seja, os meninos recebiam treinamento para serem cidadãos conscientes de suas responsabilidades e dever cívico, que perdurava desde a infância não só até a fase adulta, mas para a vida inteira. Desta forma, pode-se dizer que possuíam um rico preparo na construção de conhecimento e caráter pessoal, uma vez que, tinham a presença dos pais no crescimento e ensino, não contando apenas com a instrução escolar. Porém, vivemos em uma época onde se espera muito do ensino da escola, querem que dela resulte o futuro intelectual, emocional, moral, cívico e profissional dos educandos, quando na realidade o aluno deveria começar os estudos tendo uma boa base familiar do que é educação, respeito, cidadania e caráter. Delega-se a escola um papel que não é dela, além de suas funções normais. Fica uma dúvida muito grande, quem deve educar? Quem deve dar instrução moral e acompanhar o crescimento intelectual das crianças e adolescentes, a escola ou os pais?
Se pararmos para analisar apenas a questão família, veremos que esse conceito mudou muito. Com o mundo globalizado e o crescimento tecnológico, a mulher que era apenas mãe e dona de casa entrou para o mercado de trabalho, dessa forma, os pais não têm mais tempo suficientes para participar plenamente na educação dos filhos, outorgando assim à escola tarefa que seria deles. E nisso a escola falha, porque sua função social básica é garantir a aprendizagem de conhecimentos, habilidades e valores necessários à socialização do indivíduo. Sendo assim, ela tenta dentro de suas limitações transformar cidadãos, mas não se consegue substituir o papel dos pais na transmissão de valores.
Outro fator, como não se trabalha com um grupo homogêneo, cada aluno traz para sala de aula o reflexo de sua família, aquilo que é de seu costume, sua cultura, seu modo de ser, dificultando, assim, o convívio em classe. Por isso, a instituição de ensino e o educador precisam, dentro de suas possibilidades, trabalhar com o que possuem sem maiores contribuições para transformar indivíduos e transmitir não só conhecimento, mas também valores e afeto. Libâneo (1998), afirma que “a escola com a qual sonhamos deve assegurar a todos a formação que ajude o aluno a transformar-se em um sujeito pensante, capaz de utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos, habilidades e valores”. Na atual conjuntura, em que se encontra a educação pública brasileira fica difícil definir ao pé da letra o que é educação de qualidade? Para que serve? E como obtê-la? Porque a educação que deveria começar na família, como era para os gregos, com os costumes e exemplos dos pais foi transferida para a escola.
Sendo assim, não se pode atribuir apenas à escola a transformação do homem para o futuro, para a socialização e para o fim da pobreza, da miséria e da violência. Vivemos num mundo em constante mudança, muito já se descobriu e ainda há mundo a ser descoberto. Não se pode contar com uma fórmula pronta de educação capaz de realizar grandes mudanças mundiais, vai se construindo conhecimento através de exemplos passados e na busca de possíveis soluções para os problemas atuais. Não se pode culpar a escola e o ensino pelo insucesso de um povo, o problema é bem mais grave do que se parece. Para solucionar problemas que começam em casa, se transfere para escola, refletindo posteriormente na sociedade, deveria haver uma grande mudança. No entanto, tal mudança ainda está muito longe de se conseguir.
Referências
Janete Chrispim
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.
GADOTTI, Moacir. Escola cidadã. 3ª Ed., São Paulo: Cortez, 1995.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.